O Homem de quem se fala!
Estava um dia invernoso, o caudal do rio teimava em subir, o que impossibilitava a circulação dos barcos entre as duas margens. A juntar a tudo isto continuava a 2ª Guerra Mundial a alastrar-se e parecia que o mundo estava a chegar ao fim, dada a escassez de alimentos e o dinheiro para os obter, no mercado negro.
Mas por volta das três e meia da tarde, eis que a Dona Elisa Gonçalves de Oliveira dava à luz um rebento do sexo masculino. Apesar do mau tempo, de boca em a boca a notícia circulou rápidamente por toda a população.
Soprava um vento forte, o que dificultava a comunicação com o outro lado do rio, mas a garganta afinada da Ti Olivinha fez-se ouvir e a informação foi dada aos meus avós. Não era aconselhável a travessia, mas o meu avô, homem do rio, esqueceu-se do perigo que corria e decidiu desafiar a corrente e o temporal. Segundo ele, o neto tinha de ser visto naquele dia. Apesar da travessia ser difícil, ele conseguiu. A minha avó que dizia que não tinha medo de nada, ficou em terra e enquanto pôde berrava para ele voltar, mas ele que era daqueles que não desistia com facilidade, continuou fazendo jus ao seu desejo de, nesse dia, ver o seu novo netinho. Obrigado Ti Jaquim Guerguenteiro.
As três galinhas que a Ti Elisa tinha criado em casa da avó "Mãe Chica", para fazer as canjas nos primeiros tempos, após o parto, fortalecerem-na e permitiram que o recem-nascido tivesse leite materno com abundância e que só foi interrompido com o começo de nova gravidez. E tudo isto quando as coisas começaram a complicar-se, já que a Grande Guerra continuava e as restrições aumentavam em catadupa.















