domingo, 8 de novembro de 2009

Nkolongue!


Clare Brown e José Luís Torres vão regressar a Portugal por uns tempos, para recarregar baterias, uma vez que a época das chuvas inviabiliza grande parte do trabalho a realizar e a própria disponibilidade das populações. A chegada do casal está prevista para dia 14 de Novembro!

Associação Niassa Portugal Amizade

A Aldeia Nkolongue pertence à província de Niassa e está localizada 18 km a Sul de Metangula. Tem uma paisagem deslumbrante e as gentes são muito hospitaleiras. Contudo, a sumptuosidade da paisagem contrasta com a precariedade económica da população local, facto esse que nos sensibilizou e mobilizou no sentido de apoiar um programa integrado de desenvolvimento. Ambiciona-se criar qualidade de vida e riqueza mas procurando respeitar e potenciar a integridade e especificidade de uma cultura ancestral.Este projecto da A.N.P.A. será levado a cabo pelo casal Clare Brown e José Torres sob a direcção da gerência de Mbuna Bay Retreat, uma instituição local, e terá uma duração de dois anos. Terá o seu início a 25 de Março de 2009, com a partida dos voluntários para Moçambique. Uma vez lá chegados, estes terão de preparar a construção de uma casa para habitarem, na qual também se espera ser possível acolher outros temerários que a estes se queiram juntar.Todos os projectos a desenvolver serão apresentados e discutidos com a população da aldeia, antes da sua implementação. Ao mesmo tempo, integrar-se-ão nos planos nacionais e provinciais da educação, saúde e outros.Ao nível da saúde, muito há a fazer, a começar pela construção e dinamização de um Posto de Saúde, em colaboração com os Serviços de Saúde Moçambicanos. Devido à existência de doenças endémicas é primordial a promoção de campanhas de sensibilização e prevenção de doenças como, por exemplo, a Cólera e a Sida.Para promover a sustentabilidade da comunidade, pretende-se desenvolver projectos que numa primeira fase venham colmatar a precariedade da população, sobretudo, ao nível da escassez alimentar, com a introdução de novos métodos pedagógicos e de forma a potenciar, o mais rapidamente possível, o surgimento de novas profissões. Aqui, o carácter fortemente empreendedor dos voluntários, bem como a sua sensibilidade quanto a aspectos sócio-culturais e económicos será certamente uma grande mais-valia. O desenvolvimento terá de passar necessariamente pela preservação das tradições, nomeadamente no domínio do artesanato, e pela valorização dos seus recursos endógenos. Para esse efeito será criado um Centro de Artesanato que visará a promoção e divulgação do trabalho dos artesãos locais e comercialização dos seus trabalhos junto dos turistas. Terá ainda como objectivo a formação de novos artesãos, para que estas artes não só não se percam, mas, sobretudo, que se tornem numa fonte de riqueza para a aldeia.Uma ambição da A.N.P.A. é a criação de um sistema de Microcrédito para a Aldeia Nkolongue, para apoiar os habitantes da comunidade que, não podendo oferecer garantias financeiras, tenham ideias com viabilidade. A concretização deste propósito será, sobretudo, indispensável para desenvolver a igualdade de oportunidades e a inclusão social.

sábado, 7 de novembro de 2009

Tempos de guerra!

Honra-me ter vestido o Camafulado de Fuzileiro
Verdadeira Amizade
Testemunha a sã camaradagem entre marinheiros, ligados ainda por outros grandes amores, o Lago, o Areal e o Monte Tchifuli. Que sirva como um exemplo a seguir.

Bendita água!

Hoje sei que a única bebida que apaga a sede é a água


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Recordar é viver!

Vista da Torre do Farol

O Cais das Bombas

Helicóptero com o Tchifúli como pano de fundo

Outra perspectiva da Torre do Farol

Moçambique e os anos que lá passei enchem-me de felicidade. Por ter lá estado e vivido dois anos maravilhosos em Metangula, no Lago Niassa e outros dois na lindissima e hospitaleira cidade de Nampula. Hoje e graças á Internet temos a possibilidade de rever as maravilhosas paisagens de todo o Moçambique e as lindissimas cidades por onde passei. E sinto-me um privilegiado por ter tido a felicidade de lá ter voltado em 1975.

Muitos anos antes!

O Homem de quem se fala!

Estava um dia invernoso, o caudal do rio teimava em subir, o que impossibilitava a circulação dos barcos entre as duas margens. A juntar a tudo isto continuava a 2ª Guerra Mundial a alastrar-se e parecia que o mundo estava a chegar ao fim, dada a escassez de alimentos e o dinheiro para os obter, no mercado negro.
Mas por volta das três e meia da tarde, eis que a Dona Elisa Gonçalves de Oliveira dava à luz um rebento do sexo masculino. Apesar do mau tempo, de boca em a boca a notícia circulou rápidamente por toda a população.
Soprava um vento forte, o que dificultava a comunicação com o outro lado do rio, mas a garganta afinada da Ti Olivinha fez-se ouvir e a informação foi dada aos meus avós. Não era aconselhável a travessia, mas o meu avô, homem do rio, esqueceu-se do perigo que corria e decidiu desafiar a corrente e o temporal. Segundo ele, o neto tinha de ser visto naquele dia. Apesar da travessia ser difícil, ele conseguiu. A minha avó que dizia que não tinha medo de nada, ficou em terra e enquanto pôde berrava para ele voltar, mas ele que era daqueles que não desistia com facilidade, continuou fazendo jus ao seu desejo de, nesse dia, ver o seu novo netinho. Obrigado Ti Jaquim Guerguenteiro.
As três galinhas que a Ti Elisa tinha criado em casa da avó "Mãe Chica", para fazer as canjas nos primeiros tempos, após o parto, fortalecerem-na e permitiram que o recem-nascido tivesse leite materno com abundância e que só foi interrompido com o começo de nova gravidez. E tudo isto quando as coisas começaram a complicar-se, já que a Grande Guerra continuava e as restrições aumentavam em catadupa.

Tantas recordações!

*~*~*
Quando, na passada segunda feira, me encontrava com dois amigos e falava com um deles da nossa estadia em Moçambique, ele como condutor do Exército e eu como Marinheiro, eis que entra na conversa um outro fulano.
Parem de falar de Moçambique, porque quem aqui pode falar sou eu que sou o mais antigo, eu que lá estive 53 meses e o meu amigo de peito que lá esteve 25 meses. Eis que ele, como Polícia de Segurança Pública, tinha lá estado oito anos.
Todos tínhamos muitíssimas histórias para contar. Como é evidente, nem todas eram boas, mas a mais trágica onde esteve o meu amigo de peito, o Manuel Cardoso, quando a barcaça se afundou no Rio Zambeze.
Ele que, no Rio Douro, juntamente com o seu irmão António já estivera quase afogado, não fora a coragem e rapidez do Ti Zé do Paulo que deitara uns Pardelhos na Ovelha junto ao Carneiro e ao aperceber-se conseguiu salvá-los a ambos. Esta lição ter-lhe-á servido de aviso para que aprendesse a nadar. E o ter aprendido salvou-lhe a vida no citado afundamento. Afogaram-se inúmeras pessoas em Moçambique.
Falamos ainda, durante imenso tempo, de outras coisas boas e maravilhosas passadas naquela terra de Além Mar, mas que tivemos a sorte de lá viver e muito mais no meu caso que a guerra me passava toda pelas mãos , mas felizmente só nos papeis.
Infelizmente que as coisas em Moçambique não tem corrido pelo melhor, mas como me disse um comandante da Frelimo, eles tinham consciência de que as coisas seriam tremendamente difíceis. E que previam serem necessários uns 20 a 30 anos para que as coisas ficassem arrumadas.
Do fundo do coração, espero que assim seja e que este Povo martirizado venha a desfrutar de paz tranquila e consiga viver em plena felicidade, num futuro muito próximo.
Quem por lá passou e conheceu Moçambique e o seu povo, sabe que merecem um final feliz. E que já este Natal de 2009, que se aproxima, lhes proporcione melhorias significativas e que o ano de 2010 lhes traga melhorias significativas.

A Psico!






Estas dão-me a imagem real de quanto foi bom lá ter vivido. Os momentos inesquecíveis. Aprendi a viver em agrupamento e a perceber e saber avaliar o que é uma Guerra de Guerrilha. A Propaganda Psiquica. Tenho bem gravado na minha memória e estou convencido que jamais se apagará.
A Fotografia que era distribuída em panfletos lançados da avioneta junto das populações nativas. O chinês muito gordo, a procurar convencer o nativo que comia tudo e nada deixava para eles comerem. O Bom Português, muito amigo, magrinho porque comia e repartia com os outros.
Éramos umas almas santas!
É como diz aquela máxima :
- Quem as conta fica aliviado, quem as conhece fica incomodado.
Aprendi imenso!

Belos tempos!

ENA PÁ É SEMPRE ABRIR
Como se pode ver pelas fotos em abaixo, as quais testemunham mais uma animada confraternização . Todos quantos aparecem nas fotos,que aceitem simbolizar todos os outros camaradas destes tempos. Penitencio-me por muitas outras fotos que já não possuo, por terem sido inutilizadas, motivado pela humidade. Um apelo a quantos com nós partilharam que enviem-me outras que pode ser para este meu mail valdemarmarinheiro@hotmail.com
Praia espectacular Metangula e as àguas do lago
Com um abraço fraterno dos bons velhos tempos, mas sempre actuais e que a memória não permite que se apaguem. Bem hajam

Rancho da porca convivio de amigos. Que bom recordar

Tal como as ovelhas não são p´ra mato

Peixe não dava , porque não puxa carroça


Um paraíso secreto!


METANGULA -LAGO NIASSA = FONTE DE INSPIRAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA

Quem poderá esquecer-se deste Poster e da sua autora, a D. Rosita Chuquere e do seu marido, o saudoso Comandante Chefe do Estado Maior em Metangula?
Com devida vénia!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Encontrei o Lago Niassa!



Metangula - Caminhada à Descoberta de um Lago.
Adriano Chuquere
Gaivotazinha Sarge Fonseca


Lanchas e Visita do Bispo das Forças Armadas em 1969 a Metangula.
A memória não deixa que se apaguem.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio.