sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Povo de Moçambique= =s Negros

São Negros de Moçambique

Merecem ser felizes

Corpos abandonados no Maputo:- 
     Mais de cinco  mil corpos  foram enterrados em vala comum no Maputo (antiga Lourenço Marques) , nos últimos três anos e meio. 
     Abandonados dado os custos dos funerais e a falta de poder dos familiares para lhe proporcionarem um funeral digno.
    
São negros de Moçambique
     Sofrem na pele a calamidade das intempérides deste mundo são negros de Moçambique. Homens, mulheres e crianças desesperados, com fome e medo.
     Sem lares, sem roupa, sem vida. São negros de Moçambique, que será desta gente?
      Gente boa, gente humilde.
São negros de Moçambique, que choram.... que gritam em silêncio. Quem ajuda este povo?!...
BOAS NOTÍCIAS:
  Saúde:-
     Oito mil crianças Moçambicanas cujas mães são portadores de HIV nasceraam sem o virus, graças ao programa DREAN da comunidade de Sannto Egidio.
     Dados divulgados pela Instituição Italiana indicam que mil e duzentas mulheres grávidas estão a ser seguidas.

GORONGOSA
    Tem cerca de 400 quilometros quadrados, fica a sul do grande vale do Rift Africano no coração da zona Centro de Moçambique
Parque da Gorongosa
    O Parque, está situado na ponte meridional do grande vale  do Rift. Inclui o leito do vale e parte dos dos planaltos circundantes; os rios que nascem na vizinha Serra da Gorongoza.
     Só cerca de quatrocentas espécies sobreviveram à guerra civil e relativamente saíram ilesas.
     Os caçadores  de  caça furtiva contuam incontroláveis.
Há uma firma a pedir para restaurar a serra da Gorongosa.
    Da Beira, consegue-se fácilmente o acesso ao parque da Gorongosa que foi quase destruído durante a guerras civil de Moçambique. Tinha 4.200 quilómetros quadrados e em 1967 passou a ter  cinco mil e trezentos nesse ano.
O complexo Asavan, fica junto ao rio Savane

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Memória de Marinheiro = "A Viagem" Parte II



Partida Rumo a França
     Durante a deslocação rumo a Toulon nem nos passaou pela cabeça que quando lá chegados iriamos ser confrontados com a maior prova de força, pois se num país fascista nos tinha sido dada toda a liberdade de trajarmos civilmente, mesmo depois do episódio que relatei, porque carga de água haveriamos de prevêr que nos iriam ser impostas restrições para as quais em nada tinhamos contribuído.
Os Marinheiros Americanos e as desordens.



A Greve:




A Força das Comissões de Bem- Estar

A Pescada Camafulada:

Os Emigrantes

Os Passeios

Tudo na Vida tem um preço

Temas a desenvolver logo que possivel

Rio Zambeze = A nossa Homenagem

Só se morre quando deixamos de estar no coração de alguém
Os Rios São Eternos = São Generosos,mas têm regras, como tal exigem serem respeitados

Estas belas fotos, e com a devida vênia, ao autor do blogge Escola de Fuzileiros, ao seu autor Atur/Leiria que aproveito para felicitá-lo, pelo magnifico trabalho respeitante, ao rio Zambeze
Fica aqui nas águas a  sentida minha homenagem, a todos os militares. que morreram em defesa da Pátria nos Rios de Moçambique, Angola e Guiné, que descanasem em paz, estejam onde estiverem, que saibam que não os esquecemos.
 As tragédias aconteceram não por culpa do rio, mas por responsabilidades que lhe são alheias.

´Memórias de Marinheiro= Espanha = Parte I

Grândola Vila Morena, cantada por  Marinheiros  em  Espanha e França
Ó Valdemarzito, já te tenho dito:
Que é muito arriscadito.
Andar a tocar viola
Diz o Sarjolas, tu vais ficar  frito

Dá-lhe uma de música  Cabo Rocha (Valdemar)
Valdemar de Origem Inglesa,invejável para aqueles que o não têm, mesmo para aqueles ditos da casta Castrense, a que lhes chamam Waldemar, e que sempre nos consideraram os parentes pobres,  no meu caso, houve até quem  me tratou com certa arrogância, só por me ter sido atribuído  este nome, que hoje e sempre gostei e gosto, assim como sempre tive o respeito máximo pelo meu padrinho.
     . Esta  aqui de música, não se trata de homenagear, os Beatles, Bee Gees, Rollings St´ones, The Family, Plaiter´s,  Charlie Aznavour,  Edite Piafe ou José Lito e tantos tantos outros, mas sim a imaginação que os  Marinheiro possuíam para que o seu dia a dia, se tornasse sempre em um dia diferente.
     Ainda decorria os tempos a que se podia e devia chamar  Revolução, e fomos mandados para França, a fim de reparar uma  peça de artilharia de uma  Fragata, que tinha feito parte daquele celebre negócio em que deram aos  Franceses a Terra nos Açores para lá instalarem uma Base militar aérea, na Ilha das Flores (Açores), em troca de três Fragatas, sendo que quando chegaram, admitiram logo abater uma, para terem peças sobressalentes para as restantes, já que quando as começavam a construir os Ingleses avançaram com  umas do mesmo tipo, mas com linhas altamente sofisticadas,lindissimas. Suspederam a construção incial, e copiaram o modelo Inglês,mas as que já estavam em fase adiantada de coonstrução, foram entregues a Portugal.
A reparação, tinha previsto a duração de três meses.
Atracação em Terras Espanholas
     Seguimos viagem, e não havia ainda muito tempo que tinhamos conseguido depois de uma luta tremenda ser autorizados a trajar civilmento, quando saíssemos de licênça.
      Em Espanha encontrava-se no  ainda o Ditador Franco, o que nos levava a admitir que quando lá chegassemos, não seriamos autorizados a trajar civilmente.
 Puro engano.
 Fomos autorizados, o que muito nos satisfez. Até porque se goste ou não dos Espanhóis, as Espanholas essas sim, deveriam ser uma maravilha, mesmo que fossem Espanholas de Elvas, como tanta vez aconteceu´, prometia estarmos perante uma boa pescaria.
Estavam para serem lançadas, notas de vinte escudos que tinham  o Satnto António, e nós a bordo o Fiel já as levava.
 Chegamos num sabado à tarde,  combinamos que as fariamos passar nas Hermanas pela cotização bancárias de 200 pesetas,  A mentira passou, foi um ver se te avias, o pior foi na segunda-feira, já que a peseta valia muito mais que o escudo. A partir dali foi um toma lá nada.
     Desembarcamos, fomos à procura das continuadoras do emprego mais antigo do mundo, mas também procurando a pinga, chegados à Tasca, nas se avistava nada, mas a espreitar pelos cortinados estava um pipo, sem saber Hablar, fiz sinal ao Taberneiro, que percebeu perfeitamente, e respondeu-me : Blanco, fiz o sinal com o Polegar e ele prontamente foi buscar os copos de três e vá de encher.
     Pela noite, lá fui com a minha Viola  e havia outras, já bem bebidos, fomos para cima de uma Estátua tipo Padrão dos Descobrimentos (Infante D. Henrique) sai Grândola e as outras, ainda demorou muito a aparecer os Carabineiros, certamente esperando a ver se acabavamos, mas como a coisa continuava,  e por saberem que eramos Marinheiros, estabeleceram diálogo e pediram-nos para descer.
     Pois querido Amigo, e Xará Valdemar!... A tua foto trouxe-me à memória mais esta grata recordação, e assim recorda e perpetuarr este episódio que tinha guardado no meu armazenamento de felicidade.
    

Fuzileiros e as Vacas

Este não engana ninguém, deu dois tiros aos macacos Cães.

Honro-me de ter usado o uniforme por umas horas 
OPERAÇÃO NÓ GÓRDIO
        COBOÉ
Lá ao fundo pastam vacas, guardadas por dois fuzileiros navais, magras e tristes como as vacas de África, são o espólio trazido do mato, roubado às populações e acrescentado pouco a pouco, até formar um bando de vinte  e cinco; são a carne dos dias de festa, branca e escassa. Agarrados à G3, os fuzileiros estão sentados, cada um do seu lado, como se guardassem prisioneiros; do ribeiro, vêm um ou outro canto de ave e ruídos das árvores, ali mais altas; do miradouro, os guardas olham à volta; estão muito à distância, mas vê-se um, atirar pedras para o lago.
É este o espaço onde se movimenta a tropa, juntado-lhe o lado do aeroporto. Depois vem a cerca de arame farpado e o arame interno, grosso, posto de cem em cem metros, onde os cães ficam de guarda; cada tem à volta de vinte metros, e o cão balança-se de um lado para o outro, roçando a trela. Isto acontece sobretudo à noite; durante o dia, os tratadores, encabeçados pelo Soares, marinheiro especialista naquilo, treinam os cães metodicamente. Às vezes o imediato vem e fica, plantado nas pernas relativamente curtas, a olhar a coisa sério. Só raramente o comandante chega, no jipe; larga da parada quase a cem à hora, entra em grande pelo caminho cheio de pedras  e estaca a vinte metros, camisa bem passada, pistola à cinta.Trata-se de um homem para o gordo, ou seja, para o forte; mesmo ali no Norte, continua a impor o ritmo de trabalho e disciplina   de Vale de Zebro, quando comandava o 1º Batalhão de Navais.
     Já integrados na operação Nó Górdio, o Imediato  está cansado, fuma um cigarro sentado numa pedra. O PIDE que acompanha a missão olha para umas mulheres vivas, pega na G3 de um Grumete e descarrega o carregador até final. Já só restam dois miúdos  encontrados por um sargento, escondidos, trá-los para o meio dos mortos, pendurados pelas pernas. O Pide  solta uma fumaça de gozo; um dos miúdos é abatido; o outro vai ser cortado pelo pescoço, sabre à laia de machado: O imediato olha aquilo e de repente faz um gesto.
-Melo!
     O sargento pára. O miúdo tem à volta de três anos e está nu.
     O imediato vem devagar e toda a tropa olha; pega-lhe nos braços, volta-o e ele  fica sentado mas caba por cair; está quase sem sentidos e não chora. Da sua pouca altura , o imediato observa-o bem e toca-o com um pé. Olha a tropa na expectativa. - Este fica para mascote. Ficou a chamar-se José Manuel. Toma banho no lago com os marinheiros.
A POPULAÇÃO:
     Acusados de traição por uns, julgados terroristas por outros, foram muitos e muitos milhares os que morreram inocentes, durante os anos em que durou a guerra.

Ao meio, um filho da Escola da minha recruta sétima companhia na Escola de Alunos Marinheiros.

Ementas de Luxo no Cobué

Ao artigo acima publicado e pela primeira vez transcrevo um comentário que receboi do Valdemar Alves Fuzileiro que esteve no Cobué.
No que respeita a vacas no Cobué era ementa de luxo, menú atúm avec pommes de terre Niass "e viva o velho. Ilucidei, Xará avia muitas vacas que erama tratadas por um Nativo isso sim em Metangula na nossa Base. Quanto ás latas de atum de fruta. Vocês tiveram uma sorte do Caneco e isso não se fazia, pois muitas delas já tinham feito a Viagem nas lanchas três e quatro vezes. Enfim já peertencia à Marinha, enquanto a nós nunca nos foi oferecida uma única viagem.
 Sorte da Raia Miúda..

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Morreram pela Pátria

 Lugar Reservado no Cemitério
Só se morre quando se deixa de estar no coração de alguém
     Quando esta semana indagava, aqui na Freguesia de Nogueira da Regedoura, onde resido há muitos anos, se havia alguem que tivesse perecido no naufrágio do Rio Zambeze, já que constam dois mortos do Concelho  de Santa Maria da Feira, mas a letra é tão minuscula, que só com  lupa se conseguirá identificar a que freguesia pertencem. Disseram-me que sim.  No imediato desloquei-me ao cemitério local, a fim de confirmar a data, lamentávelmente, apenas lá existia uma pedra  com a fotografia  de um, e  em estado de total decomposição, direi mesmo que está irreconhecivel, o outro niqueles.
 Fui-me embora, como se pode calcular; cabisbaixo e entrestecido, uma forte dôr, começou a avassalar-me o coração. Tempos houve, que  lá tinha visto a foto de ambos, e agora deparava com aquela triste constatação.
 É desolador para quem esteve no Ultramar, que sempre lutou, e lutará, pela dignidade e honra dos ex-combatentes e muito em especial, aqui citados,  que morreram em cumprimento de uma missão patriótica.
   Mais pesaroso, porque nessa manhã  recebi um E-Mail, vindo de França, de uma Senhora que o seu Pai  um Médico, especializados em tratamento de Leprosos, mas que foi  obrigado a ir para Angola em 1949,  e agora já com os seus 90 anos,  publicou um livro de memórias, onde cita o colega e amigo,  Doutor Carlos Ferreira Soares, que foi em 1942 assassinado pela PIDE,. mas que o ajudou e educou no social e humano, apoio esse e ensinamento, que conservou e o acompanhou no seu desempenho de Medicina, que jamais o esqueceu, e agora passados setenta anos lhe presta esse tributo.
Vou deligênciar junto  da familia e do Executivo, que acredito convictamente estarão disponiveis, para que no local, a que está reservado, a quem tomba em defesa da Pátria e que está  tratado dignamente, dispondo de um local  amplo reservado aos mártires que tombam em defesa da Pátria. Se mais não for,  seja colocada  uma placa, com os seus nomes,   e os dizeres:- que tombaram em defesa da Nação.
    Acabei  por confirmar, que a pedra  que ali estava colocada, os familiares a colocaram em Jazigo de sua familia, mas é deveras importante que conste, para que se saiba  e se preste a homenagem que merecidamente lhe é devida, sejam  referênciados os seus nomes e onde tombaram, no local a que lhe está reservado.
    Faço este alerta, não em tom critíco, mas porque acredito, e que isto se passará em outros locais e que só acontece,  por os seus familiares não saberem que a Pátria, e todos nós, lhe devemos essa justa  homenagem.
     O Combatente tombado, a que me refiro, deixou duas filhas, com dois três anos de vida, a viúva também já partiu, o que se compreende, não saberem quanto a Pátria lhes deve a elas, que perderam o seu progenitor, e ficaram privadas do corinho e amor fraterno de  seu Pai.
    Espero que este aleta venha a servir de exemplo a outros locais, e que os combatentes  que tombaram tenham o tributo da perpetuação das suas memórias.
  

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Academia

Certificado de Qualidade Primeiro da Europa


Sporting Clube de Portugal
O melhor cheganos perfeitamente
Sporting derrota Mafra pela tangente= Sinceramente!..... Vamos lá a manter um minímo  de dignidade.
Sá Pinto versos Liedson = Seja homens dignos, o Sporting e os Sportinguistas exigem esse direito. Vocês são pagos é para servirem  o clube, e não o enxuvalharem e o meterem no coração e boca das carpideiras/os.

Navio-escola Sagres zarpou ontem de Lisboa

Navio Escola  Sagres = Terceira volta ao Mundo


Tantas Histórias Gloriosas da Marinha

´Sagres faz-se ao mar em dia de ´relâmpagos`

Navio-escola da Marinha  parte para volta ao Mundo
     No dia em que se assinala, a mitologia antiga, o festival dos relâmpagos, o navio levanta âncora hoje, para a sua terceira volta ao mundo. Serão onze meses.
     
"Que o vento ajude e o mar seja chão".
        Com paragem agendada em 26 portos internacionais e o regresso a Lisboa marcado para 23 de Dezembro, mais uma vez que os Marinheiros vão poder homenagear os 500 anos de chegada dos nossos antepassados ao Extremo Oriente.
      Expo Xangai (China) , Dia de Portugal em San Diego (estados Unidos da America), visitas aos portos  de Goa e Díli.
      A Sagres vai atravessar três oceanos, visitar vários continentes e participar em dezena de eventos.
      Como seu servidor, orgulho-me de uma vez mais poder constatar a projecção que o navio e os Camaradas Marinheiros vão dar ao país no Mundo  e a sua presença em festivais de grandes veleiros isso é notório.
      Orgulhamo-nos de nunca ter acontecido um regresso antecipado. Desistências ou chegar a um porto e alguém pedir para voltar para casa.
     Sempre os mais novos contaram com a experiência dos mais velhos e formulo votos para que assim vá continuar no futuro e que em Dezembro nos possamos orgulhar de mais uma missão de valor histórico.
     Por mim que várias vezes estive dentro dela e conheço o seu interior, inclusivé tive a possibilidade de escolher fazer nela uma viagem de cadetes ao Brasil, mas que declinei em troca por outros países, vou torcer para que te corra de acordo com o  ambicionado, e espero que a Sagres e os Marinheiros, continuem a ser os primeiros na terra e no mar.
     Saudações maritimas e vou acompanhar o diário de bordo que venha a ter acesso via imprensa.
    Que nela caiba um abraço molhado e fraterno para o Valdemar Alves,  para que o receba em Díli.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Autópsia de Uma Operação



 OPERAÇÃO À CAÇA, MAS JUNTO A METANGULA. RADARISTA NÃO DÁ P´RA MATO 
      ((QUE ME DESCULPEM OS FILHOS DA ESCOLA) POR AMOR AO FUSO))      
            Na minha modesta opinião, penso tratar-se de um testemunho de muito interesse.
A partida:
 Ao primeiro clarão acordei e, como que impelido por uma mola, sentei-me  na cama. Esfreguei os olhos num esforço supremo para expulsar o que resta do sono. As luzes da coberta estavam acesas. Bocejei e dei uma olhadela para o relógio de marca  Oriente, ganho à lerpa numa noite bem passada na Beira; certeiramente,  marcava duas horas e três minutos da  jovem madrugada de um dia, que pouco interessava, do mês de Novembro de 1972.
     Um rádio começou a funcionar e rápidamente atingiu o máximo volume, sob um coro de protestos do grupo desportivo: Deixem-me Dormir.
     Olhei em redor: a coberta começava a ganhar vida.
     Ao fundo, junto à entrada, estava o cabo fuzileiro do Pelotão  de Fuzileiros Navais com a sua descomunal pança, que a injestão de bazuca (Bazuca garrafa de cerveja de litro) ajudava a criar. Com a braçadeira azul de serviço e a pistola Walter  à cintura, ligeiramente descaída para o lado direito, gesticulava todo gingão:
    - Eh pessoal..... Está no levantar, o piquenique vai começar!
     E logo alguns, com a lingua mais solta, responderam em unissono:
    - Vai mas é para o mato, malandro!- E logo outro atirou´:- O piquenique fazia-te bem bem era aos peitos descaídos!
     O Jerónimo, alentejano dos lados de Niza, entrou na brincadeira, encolhendo o que podia da barriga e fazendo peito, num esforço inútil.
     A Base do Cobué ficava agora para trás; primeiro num ponto assinalado pelos olhos  experientes de muitas partidas, depois até desaparecer completamente confundindo-se a noite e com a linha de montanhas regular e simétrica que ladeava aquela parte do lago Niassa. Algumas dessas montanhas são também conhecidas como Ilhas de Pedra ou Inselbergs.  (Grande Vale de Rift: extensa fossa tectónica, que vem desde  a Palestina, atravessa o Mar Verelho, o Rio do Ouro, lagos Rodolfo e Niassa e tem o seu término na África do Sul).
                   Águas do Lago Crespadas    

     Entretanto, as vagas mortas sucediam-se umas atrás das outras, obrigando a lancha a um difícil trabalho de equilibrio. Por momentos, e de forma cadenciada, a proa e a popa ficacam fora de água, obrigando as hélices a patinarem em seco e, logo de seguida, mergulhava de nariz, lançando chapadas de água que varriam todo o convés, encharcando tudo e todos.
     Na ponte de Comando da lancha encontrava-se um Segundo-Tenente da Reserva Naval, um Cabo Artilheiro e o sargento Manobra Domingos, que agarrava com experiência e desenvoltura o leme. Quando me viram, riram-se e acenaram à laia de  cumprimento. Tudo malta porreira e conhecida de outras levas para operações.
     O segundo tenente, comandante da lancha, assomou o rosto comm fartas barbas fora da ponte e gritou:- Atenção, malta! Segurem-se bem que o lago está picado.
Vamos aumentar a veocidade desta menina... Ó Domingos "vai para o caminho"!
Ordenou ainda para o homem do leme, para corrigir o rumo do navio.
     Aconcheguei-me dentro do poncho ( capa impermiável camuflada muito leve) e preparei-me para passar o melhor possivel o tempo que faltava até ao desembarque. Os próximos dias iam ser duros, muito duros...
O Comandante do Destacamento e os Objectivos
 E dei comigo a pensar como é que um tipo como o Primeiro-Tenente Manuel Virgilio ingressara nos Fuzileiros (FZes)...
      De personalidade frágil, mesquinho e ambicioso, o seu comportamento em operações anteriores era um insulto e um desprestígio para o Destacamento e para o Corpo de Fuzileiros.
     Por diversas vezes posto em causa no comando do Destacamento pela inépcia e incapacidade demonstradas, salvaram-no poderosas protecções de que desfrutava no Ministério da Marinha. Oriundo de famílias abastadas e por tradição ligadas ao meio castrense, era aum defensor acérrimo do Estado Novo e da sua politíca ultramarina. Não havia dúvidas de que procurava, à sombra dos Fuzileiros, os louros e medalhas que lhe permitiriam ascender mais rápidamente na carreira.
 E o Manuel Virgilio depressa tinha aprendido que as medidas eram atribuídas não só pelos actos em combate mas também pela forma como os relatórios das operações eram redigídos......

Niassa Terra de mel.....


A minha homenagem:
     Apresentar desculpas por vezes é insuficiente, mas quando esse alguém que as solicita está mordido pelo mesmo bicho do amor, então acredito sériamente que estará desculpabilizado.
     Quero aqui enaltecer a postura de uma senhora com responsabilidades acrescidas no Governo Moçambicano, a Dona Felicita,  e a Dona Clarck,que  não sendo Moçambicana, nutre por esse país um grande amor e nele desempenha um trabalho de grande partilha com o propósito simples, de em regime de total voluntariado ajudar a minorar o sofrimento em Terras do Lago Niassa. Para que as populações venham a desenvolverem-se e assim possam desfrutar de melhor subsistência. Por fim à Senhora Graça Torres autora deste romance. que com a devida vênia transcrevo: Maria da Graça Lobo Torres de Sousa Cruz nasceu em Freamunde ( para quem não souber a celebre terra dos Capões, galos de peso acentuado e que são de sabor muito especial),  tirou o curso de Educadora de Infância, onde exerceu em Lisboa. Casou e foi para Moçambique no ano de 1961, onde viveu durante 15 anos em zonas do interior profundo. Sempre que teve oportunidade improvisou uma sala de aula e leccionou as 4 classes primárias, em circunstâncias tremendamente difíceis.
     Aí, aprendeu a conviver e a cuidar de crianças carenciadas.
    Em 1975, aquando da independência de Moçambique foi convidada a projectar e dirigir a Carreira de Puericultura (ramo da  medicina que ensina a criar e a desenvolver moral e fisicamente as crianças) e  Educação de Infância. 
 Até 1992  ,  programou e realizou cursos de diferentes niveis, desde os elementares para  aldeias comunais, até aos de técnicos e formadores , leccionando em todos eles.
 Durante este tempo,   integrada na Direcção Nacional e, mais tarde, Secretária de Estado da Acção Social, publicou  várias obras de apoio Psico Pedagógico, como a «Criança Cresce» para os animadores das "escolinhas" (jardins de infância) de quarteirão. Com a participação da UNICEF, colaborou  ainda durante oito anos, tendo publicado una pequena colecção de livros e histórias para crianças.
 É uma história que eu considero de importância vital, por tratar-se de alguém, que como nós viveu e sentiu esse amor à primeira vista, e que por ali ficou com total dedicação, mas para melhor ilucidar esta minha introdução, leia-se o que escreve a autora:-  Esta história, durante anos amadurecida e quase adormecida na minha memória, é ficção, embora fortemente inspirada em realidades por mim vividas e referências históricas sobre a região e seus habitantes.
Nota: Acompanhou o marido que era alferes piloto aviador colocado em Vila Cabral. Fala do Lago Niassa e  a história começa a desenvolver-se em Vila Cabral, Meponda Rovuma, Tenente Valadim, etc, e ao fim de 254 páginas termina com o Lago Niassa o sol a deparecer lá no fundo.
Prometo voltar ao assunto e se vocês vierem a gostar tanto como eu; darei a conhecer esta maravilhosa paixão e de grande amor.