quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Presépio em Nogueira da Regedoura/S. Paio de Oleiros/Santa Maria da Feira

Ano após ano tem vindo a crescer, hoje são autênticos arraiais na épca natalícia. 
Posted by Picasa

Para os admiradores.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Prognóstico do Doente Portugal

Honra de ser Português
      no blogue
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Receitas errradas.
O doente sofre, arde em febre e os medicamentos prescristos pelos médicos de serviço têm-se manifestado incapazes.
   A familia numerosa como é, sente-se aniquilada.
   Descrê na competência dos clínicos e, embora o não manifeste, entende que é preciso tomar uma decisão.
   Sabem que para além de uma vontade geral, será necessária uma grande dose de coragem a envolver muito trabalho, muita seriedade de acção e uma excelência de cuidado no acompanhamento do doente durante a sua certamente longa convalescença.
Reunidos em Assembleia
 Opinaram os sábios que "uma desgraça nunca vem só" e que quem mais sofre não são os culpados, mas os menos protegidos, a quem depenaram as asas e puseram  longe o comedoiro dos alimentos necessários para uma existência minimamente aceitável.
     A conferência final foi uma espécie de assembleia geral onde cada um ficou plenamente inteirado da natureza do mal que afligia o enfermo e da colaboração que se exigia de todos para o seu restabelecimento.
     Perguntas e Respostas
    No fim houve perguntas e respostas, umas concordantes e outras não, mas todas apontadas na mesma direcção: serão sempre os menos culpados que terão de pagar as favas.
    Houve quem mais desassombradamente afirmasse que quem deveria arcar com as responsabilidades seriam os causadores de tantas clamidades, da tal epedemia e, se não for atalhada atempadamente, pode vitimar o doente, que dá pelo nome de Portugal.
      A terminar a magna conferência acabou por ser ouvida uma interessante opinião :
     - " Grande ladroeira! Mas tão ladrão é o que rouba como aquele que consente".
     Muitos foram aqueles que abanaram a cabeça de cima para baixo...



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Maria - Um (outro) conto de Natal



Uma Mãe em desespero...
no blogue
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Enquanto não nos for possivel , serem todos os dias de um verdadeiro espirito Natilício?!!! 


(Gustav Klimt - "Mother and child")
   O seu nome é Maria. É mãe de cinco crianças. Trabalhava na cantina de uma escola... foi despedida!
    Na cantina escolar onde trabalhava a Maria, o destino dos restos de comida é o lixo... e a Maria pensou que poderia levar alguns desses restos para casa, para dar aos filhos, numa tentativa de remediar, mesmo que só um pouco, o ordenado miserável. Enganou-se! Para a “Eurest”, a empresa privada que, com o dinheiro dos nossos impostos, lucra com o negócio de muitas cantinas escolares, para além desta de Vila Nova de Gaia, isso é intolerável e motivo para despedimento.
    Se os meus amigos e amigas se derem ao trabalho de ler a notícia do CM, verão que este nem é sequer um caso isolado; a empresa tem por norma ser implacável com as funcionárias, mesmo que estas se limitem a ter a “ousadia” de guardar umas sobras do seu próprio almoço, no cacifo... para quando chegarem a casa, já tarde.
     Lembra, e bem, o presidente do Sindicato da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares, que a “Eurest” faz parte da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), associação que promove a campanha “Direito à Alimentação”, campanha em que aparece, alegre e mediaticamente, ao lado do Presidente e candidato a “Represidente”, Cavaco Silva, nas suas ações de campanha eleitoral à custa dos pobres… dos quais descobriu, subitamente e por estes dias, ser extensamente amigo.
     É Natal! 
     Tempo em que alguns sentimentos nobres são vergonhosamente obrigados a conviver com a mais abjecta hipocrisia.
   «Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, aos homens de boa vontade».
     (Evangelho Segundo S. Lucas, capítulo dois, versículo catorze)







domingo, 26 de dezembro de 2010

Dia 25 é a Continuação da Festa do Natal ( O Bacalhau Assado)


A vida Hoje
   no blogue
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Noite de Natal passado em Nogueira da Regedoura
     Por razões pessoais este ano optei por passar a noite de 24/25 de Dezembro na minha casa em Nogueira da Regedoura.
   Mas logo tinha ficado decidido que no dia 25 e após ali comer o farrapo velho lá seguiria até Cancelos, pois Natal sem a Lareira do meu tempo de Criança e o Rio Douro por perto não é uma realização total.
 E sabe sempre a insabido.  Melhor não seria de todo um Natal perfeito.  
     Dia 25 Rumar a Cancelos.
     Como o prometido é devido,a partir das 15 horas lá rumamos ao destino prometido.
     A viagem a uma velocidade normal dura em média uns 45 minutos.
     Ali chegado deparei que o meu Amigo Douro não estava na disposição de fornecer uma temperatura agradável, o Vento soprava bastante forte e era bastante frio.
      Rumo a casa e como o Rio durante o ano me permite abastecer de lenha, foi o tempo de acender a fogueira e com o calor desta, a temperatura ficou convidativa.
     Não tinha visto os Natal do Hospital no Canal 1,como é hábito do Hospital de Azeitão e, como estava a ser retransmitido, aproveitei a ouvir umas músicas agradáveis e muito especialmente o meu forte  "uns faduchos".
      O tempo vai-se passando e neste preciso momento os ponteiros apontam para as dezoito horas e a Sereia já anda a separar as brasas para assar o respectivo Fiel Amigo, percebo que também o respectivo Caldo Verde, já começou a ser preparado, juntando-lhe a aletria e Rabanadas que vieram de Nogueira a coisa promete.
   Já bati duas fotos com a Nova Máquina e ouvi uns fadinhos das 12 às 14 horas, na minha nova grafenola, também oferta do generoso Pai Natal.
Foi um Natal bom, direi até mesmo  muito bom.
Esteve presente o bom apetite, a saúde, amor e boa disposção.
   A renda da Casa é todos os meses, o Natal uma vez por ano.
     VIVA O NATAL TRADICIONAL

sábado, 25 de dezembro de 2010

Festa de Natal

A  minha ceia de Natal e os Presentes.
O meu agradecimento ao Valdemar Alves por ter incercedido junto do Pai Natal e assim eu ter recebido todos os presentinhos que pedida para a noite de Natal.
    Apesar de já ontem à meia noite ter podido confirmar qure tinha sido atendido, hoje de manhã pode confirmar e assim lá estava a nova máquina fotográfiaca 14 megas ponto 1, o Radiozinho para as minhas caminhadas e um par de luvas para poder enfrentar os dias de maior frio.
   Não faltou a ceia tradicional e hoje sabado são dezasseis e trinta  e já aqui na minha casa junto ao Rio Douro a fogueira arde a bom arder para se fazerem brasas para assar o respectivo Bacalhau.
    Foi mais uma Natal espectacular, a juntar a muitos outros que já tenho passado.

Festa na Associação. Junto de quem ajudei a Recuperar
   Plena Felicidade
A nossa felicidade é enorme, quando nos sentamos junto a quem ajudamos a vencer na Doênça.

Não encontramos palavras para que possamos expressar o que nos vai na Alma.
     Sentado ao lado de uma Grande Senhora a Esposa do Simões,e segue-se logo atrás do Simões, o Carlos Alberto, a sua mãe com oitente e muitos anos e a seu lado a sua esposa, ambos os casais estavam acompanhados de um filho cada que não aparecem na imagem.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um Pai Natal Solidário = Boas Festas Para Todos Vós



Natal de Criança com os meus oito anos de idade
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Os Directos do Cicloturismo de Nogueira da Regedoura, antes de vestirem de Pai Natal Solidário

Um Pai Natal Solidário, um Barco e um Mar de Esperança em dias melhores, para os mais desfavorecidos

Quando partilhamos, ficamos mais leves e recebemos sempre muito mais que o pouco que damos.
Uma certeza nos fica. Sentido do dever comprido.


Comoo estava, previstas vários contratempos, o Pai Natal precaveu-se.
Apesar da partida estar prevista para as 15 horas eram 14h30m, já o panorama era este.
     Foram superadas as melhores espectativas e os generos alimenticios, foram entregues a Associações que trabalham junto dos mais carênciados. Ficamos imensamente felizes por saber que estamos a contribuír  para um Natal mais acolhedor e feliz destas familias.
     Infelizmente há casos de pobreza de pessoas que há uns tempos era impensável que tal lhes viesse a acontecer. Gente de bem que só estão nesta situaçãp por não encontrarem trabalho. Em muitos casos, esposa, marido e filhos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu Amor é Marinheiro (À Fadista)


Putos Alpinistas = Nas Fragas da minha Aldeia
 marinheirododouro.bogspot.com   

                    É uma entrega tão forte = Vá lá saber-se porquê?
    O que tudo isto tem de motivante?!!!:-
     Sempre que algum dos Filhos da Escola se lembra de dar uma dica da nossa tão querida Briosa, logo à um toque a postos de combate e todos marcam presença, "ocupando imediatamente o seu posto de faina" e o mais impressionantes é que as consultas sobem em flecha.
  Três casos aqui que peço permissão para individualizar:-
1º = Ó Filho da Escola Virgilio = Tal como para uma grande amizade não é necessário muito tempo, o mesmo é para amar.
   A tua passagem pela Marinha dá-te todo o direito de seres marinheiro de pleno direito. As leis que ditam a não contagem do tempo!!!:- Isso é outra história. O legislador não percebe muitas vezes rigorosamente nada do assunto em causa.
  Só faltava andar todo o tempo que deste da tua vida e tanto sofres-te e não teres esse direito.
 2º =- Eduardo Nunes, tu tal como eu.- Estás naquela de não foste da Marinha mas tives-te um convívio que te deu para perceber a união que a farda nos dava e como dizes, algumas vezes te interrogas-te porque não te tinhas oferecido voluntário para a Armada.
  Tal como eu costumo dizer:- Tal o contacto que tive com os Fuzileiros, que deveria acumular a boina.
  Outro exemplo:- (Para o Valdemar  Alves) =O Ferraz treinador de Boxe dos Fuzileirosque eu também tive o prazer de conhecer. Esse saudoso, teve uma grande Escola no Sporting Clube de Portugal. Os muitos anos que foi treinador da Secção de Boxe do Sporting, onde fez muitos Campeões e muitos deles pertenceram à Marinha.
  Já me esquecia do fado, cantado pela saudosa Amália Rodrigues, uma Senhora com Paixão à Marinha. 

Meu amor é Marinheiro ( Cantado por Amália Rodrigues)





Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Meu coração-um navio

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira

Eu vivo lá longe, longe
Onde moram os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos Rios

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias

Assim falou meu amor
Assim falou-me ele um dia
Desde então eu vivo à espera
Que volte como dizia.

Klique para ouvir Amália cantar este Fado.
Votos para um Natal cheio de Partilha, Saúde e muito, muito Amor

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amores de Marinheiro. Quem tem fama, deve tirar proveito

Cobras e Traumas = Vida de Criança
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Os Marinheiros, os Poetas e os Artistas...
Há e ainda perdura uma frase que muito se aplicava que os  marinheiros tinham uma namorada em cada porto, onde  aportassem.
    Ninguém dúvida que fora das grandes cidades europeias e no caso concreto também na nossa Lisboa, o marujal quando fardado e até ao 25 de Abril isso era obrigatorio, apesar de a grande maioria, "quando convinha e convinha muitíssimas vezes" furava o sistema.
     Foi para os marinheiros; que os poetas mais escreveram, os fadistas e cançonetistas e conjuntos da nossa praça,mais cantaram e todos eles não resistiram a cantarem canções, aos marinheiros, mares e marinha.
      A nossa Marinha e a mística...
     Talvez estejamos a falar de uma nossa/Marinha, que para muitos inclusivé aqueles que a serviram posteriormente, não percebam esta mística de sã camaradagem, o amor que dedicamos a essa mesma Marinha que a consideramos parte indívisivel do nosso património pessoal.
    Pois ela faz  parte das nossas paixões e amores.
A Honra de ter servido a Briosa.
    Não conheço nenhum caso, de um Filho da Escola, que não tenha honra em a ter servido, nas mais diversas especialidades, mas que toda elas, formavam  um corpo único.
   UNIDOS PELA HONRA DE UMA FARDA.
  Contagiante o encontro entre marinheiros que nunca antes se tinham encontrado.
     É contagiante, muitos não perceberão, e admite-se que até tenham alguma dificulldade em perceber esta realidade, porque nós próprios, não o sabemos explicar. Como ao primeiro contacto entre nós marinheiros, num ápice nasce ali uma linguagem e entrega com um à vontade, como sempre tivessemos prestado serviços juntos e não tivessemos já muitos de nós e há muitos anos deixar de ser efectivos.
 Talvez seja muitíssimo difícil perceber, como uns tantos anos são marca para uma vida inteira.
RESPONDA QUEM SOUBER!!!  
Nota:
      - Tinha preparado um texto com versos de um fado e comecei a escrever, e a conversa já vai alongada, que ficarei hoje por aqui. Terá seguimento amanhã.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OS LUSÍADAS... Ontem como hoje!



Natal de Criança = Eu sonhei
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                                                 Os Lusíadas... hoje!
 Tanta beleza merece ser amplamente divulgada.
 As sarnas de barões todos inchados
 Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

 E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
        O que mais me preocupa de momento, nem são os saudosistas do Tónio de Santa Comba, mas sim aqueles mais de 300 mil Jovens com idades compreendidas entre os 15 e trinta anos, que nem trabalham nem estudam.
  Um País tão pequeno como o nosso populacional, jamais poderá progredir, enquanto se sustentar  situações destas.
  Acredito que na sua grandississima maioria não trabalham ou não estudam por não terem condições para exercerem uma ou outra actividade.
Mesmo sem pensar em coisas banias.
Esta factura para a nossa Juventude é pesada de mais.





segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Tristes dias do nosso Infortúnio


Baptista Bastos - b.bastos@netcabo.pt
    O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.
     O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.
     O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.
     Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.
    O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.
    É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um destino que não merece - é este homem sem jeito de estar com as mãos, de sorriso hediondo e de embaraços múltiplos, que quer, pela segunda vez, ser Presidente da nossa República. Triste República, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!
     Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.
    Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar.
    Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro e leitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia: "Como é que você quer que isto se endireite se o dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"
     Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."
       b.bastos@netcabo.pt