Este não engana ninguém, deu dois tiros aos macacos Cães.
Honro-me de ter usado o uniforme por umas horas
OPERAÇÃO NÓ GÓRDIOCOBOÉ
Lá ao fundo pastam vacas, guardadas por dois fuzileiros navais, magras e tristes como as vacas de África, são o espólio trazido do mato, roubado às populações e acrescentado pouco a pouco, até formar um bando de vinte e cinco; são a carne dos dias de festa, branca e escassa. Agarrados à G3, os fuzileiros estão sentados, cada um do seu lado, como se guardassem prisioneiros; do ribeiro, vêm um ou outro canto de ave e ruídos das árvores, ali mais altas; do miradouro, os guardas olham à volta; estão muito à distância, mas vê-se um, atirar pedras para o lago.
É este o espaço onde se movimenta a tropa, juntado-lhe o lado do aeroporto. Depois vem a cerca de arame farpado e o arame interno, grosso, posto de cem em cem metros, onde os cães ficam de guarda; cada tem à volta de vinte metros, e o cão balança-se de um lado para o outro, roçando a trela. Isto acontece sobretudo à noite; durante o dia, os tratadores, encabeçados pelo Soares, marinheiro especialista naquilo, treinam os cães metodicamente. Às vezes o imediato vem e fica, plantado nas pernas relativamente curtas, a olhar a coisa sério. Só raramente o comandante chega, no jipe; larga da parada quase a cem à hora, entra em grande pelo caminho cheio de pedras e estaca a vinte metros, camisa bem passada, pistola à cinta.Trata-se de um homem para o gordo, ou seja, para o forte; mesmo ali no Norte, continua a impor o ritmo de trabalho e disciplina de Vale de Zebro, quando comandava o 1º Batalhão de Navais.
Já integrados na operação Nó Górdio, o Imediato está cansado, fuma um cigarro sentado numa pedra. O PIDE que acompanha a missão olha para umas mulheres vivas, pega na G3 de um Grumete e descarrega o carregador até final. Já só restam dois miúdos encontrados por um sargento, escondidos, trá-los para o meio dos mortos, pendurados pelas pernas. O Pide solta uma fumaça de gozo; um dos miúdos é abatido; o outro vai ser cortado pelo pescoço, sabre à laia de machado: O imediato olha aquilo e de repente faz um gesto.
-Melo!
O sargento pára. O miúdo tem à volta de três anos e está nu.
O imediato vem devagar e toda a tropa olha; pega-lhe nos braços, volta-o e ele fica sentado mas caba por cair; está quase sem sentidos e não chora. Da sua pouca altura , o imediato observa-o bem e toca-o com um pé. Olha a tropa na expectativa. - Este fica para mascote. Ficou a chamar-se José Manuel. Toma banho no lago com os marinheiros.
A POPULAÇÃO:
Acusados de traição por uns, julgados terroristas por outros, foram muitos e muitos milhares os que morreram inocentes, durante os anos em que durou a guerra.
Ao meio, um filho da Escola da minha recruta sétima companhia na Escola de Alunos Marinheiros.
Ementas de Luxo no Cobué
Ao artigo acima publicado e pela primeira vez transcrevo um comentário que receboi do Valdemar Alves Fuzileiro que esteve no Cobué.
No que respeita a vacas no Cobué era ementa de luxo, menú atúm avec pommes de terre Niass "e viva o velho. Ilucidei, Xará avia muitas vacas que erama tratadas por um Nativo isso sim em Metangula na nossa Base. Quanto ás latas de atum de fruta. Vocês tiveram uma sorte do Caneco e isso não se fazia, pois muitas delas já tinham feito a Viagem nas lanchas três e quatro vezes. Enfim já peertencia à Marinha, enquanto a nós nunca nos foi oferecida uma única viagem.
Sorte da Raia Miúda..

