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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

EU ESTIVE EM NAMPULA = 1ª parte

Era assim aos Domingos em Nampula
Era um óptimo local que servia  de ponto de encontro
Eu estive em Nampula= 1970, 1971 e 1972
 Não custa mesmo nada reconhecer; que, nos anos setenta esta simpática e acolhedora cidade podia, ombrear com as mais avançadas da Europa. Aqui respirava-se Saúde. Numa altura em que o mais fácil poderia ser uma autêntica pocilga, dado o grande número de militares ali residentes, e não fossem ser pessoas civilizadas.
     Se haviam os que para ali vinham para permanecerem por largo tempo, no comprimento da sua comissão de serviço, muitos haviam, que apenas por lá permaneciam o tempo de internamento hospitalar e sua respectiva convalescênça.
Tudo servia de pretexto aos militares que se encontravam na frente de combate, para se possivel virem passar uns dias a esta maravilhosa localidade, mas muitas das vezes só era possivel em troca de exames hospitalares ou mesmo uma cirurgia. 
     Saídos do Quartel General e vindo até ao Bar do João situado na Metacolia e, para lá chegar normalmente atravessavam-na a cidade de ponta a ponta: -talvez aqui fossem postos perante a fotografia real da cidade,e assim ao primeiro olhar percebiam que ela merecia ser tratada com todo esse carinho.
    Certo que a limpeza era uma dos seus principais cartões de visita, mas também verdade;  dispunha de coisas aconselháveis e atractaivas. Para já não falar da forma amiga e elevada como os moradores conviviam entre si.
     Quem conviveu com gente branca da cidade; sentiu  certamente a forma cativante como a população tratava os militares e, os nativos  pessoas ordeiras amáveis e respeitadoras.
     Nampula tinha muito para oferecer;  nos cafés  havia um sã ambiente e não se discriminava quem era militar ou civil; as outras atracções como a Piscina, Os Pavilhãos , o Cinema, a Emissora da Rádio, a Represa e tantos e tantos outros locais onde podiamos conviver e partilhar a sã camaradagem.  Não falando no Campo de Tiro aos Pratos;onde pela primeira vez comecei a dar uns tiritos e isso tenho a agradecer ao meu amigor Marques esteja ele onde estiver, homem também ele aqui do Norte. Os jogos do Hóquei em Patins com o Fernando Adrião mesmo em fim de carreira ainda era um fenómeno. As sessões de Fados na Fronteira etc etc.
     Mas falar do local onde passamos e vivemos no auge da nossa mocidade dois anos não se fica por meia dúzia de linhas. Abri hoje esta primeira parte de recordações, esperando que venha a contribuír para que outros que como eu por lá passaram e, guardam gratas recordações as possam e devam dar a conhecer.
Se este desafio vier a ter resultados positivos vou sentir-me imensamente feliz.
Porque Nampula merece; e, a nós passadas quatro dezenas de anos faz-nos bem mentalmente.