terça-feira, 22 de junho de 2010

Estado Benemérito.. E homosexualidade nas ex-Colónias

     Estado dá rendimento mínimo aos reclusos.
   Se quem trabalhou mais de quarenta anos  recebe 400 Euros por mês e está sujeito a todo o tipo de impostos.
O mesmo que recebe traficante que tem direito a esses mesmos 400 Euros, sem pagamento de nada.
     Quem aguarda julgamento na prisão por  roubos, tráfico de armas e até mesmo violações.
      Não importa se é reincidente ou não.
      Nada disto impede que continuem a receberem o rendimento de Reinserção Social.
      Só o perdem se forem condenados e drpois de o caso transitar em julgado é, que a Segurança Social pode retirar os citados rendimento.
       O caso está a chocar os tribunais de todo o país.
 Exemplos ilucidativos: Traficante de armas proprietário de uma grande forrtuna e tinham direito ao Rendimento Minímo.
      Por cada metralhadora vendida os membros do grupo recebiam cerca de 5 mil euros. todos tinham direito ao Rendimento Minímo.
     Um jovem de 19 anos foi preso por assalto a farmácia, roubou mais de 18 mil euros, mas na cadeia continua a receber o rendimento minímo.






Homossexualidade = Herança Colonial

Herança Pesada para Gays.
  A aprovação do casamento homossexual em Portugal, contrasta com testemunho discriminatório  deixado nos territórios ultramarinos.
  Na mesma semana que se realizaram três casamentos em Portugal entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil assassinaram quatro Gays.
     Em Moçambique os Gays continuam a não  ser incluídos nos planos de saúde  de combate ao HIV, a recente revisão constitucional em Angola exclui o direito da não discriminação de acordo com a orientação sexual.
         Os países além da lingua que os une, em comum estes estados que integram a comunidade dos países de lingua portuguesa (CPLP), têm  uma população LGBT ( Lésbicas, Gays, Bissexual e Transgenero) que ainda hoje sofre o peso de uma herança colonialista, que por lá deixou raízes de códigos e leis profundamente discriminatórias.
     Realidade a que não fogem Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné Bissau ou São Tomé, muitos deles como Moçambique, onde a legislação em vigôr  sobre actos homosexuais ainda remonta à época de controlo ultramarino.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

POR OUTRAS PALAVRAS


Do Vaticano a Belém.
O Oficioso "Osservatore romano",  que o Vaticano costuma usar para atirar pedras escondendo a mão, achou que a morte de Saramago seria boa altura para o apedrejar, tanto mais que, agora,  ele já não pode defender-se. O apedrejador de serviço meteu,  mãos à vaticana obra e, mesmo não percebendo porque motivo terá Deus deixado Saramago viver até à "respeitável idade de 87 anos" e andar por aí a erxibir uma "crença obstinada" não nos dogmas da Igreja mas nos do materialismo histórico, condenou-o às chamas do Inferno (infelizmente a Igreja já não tem pooder para condenar gente como Saramago à fogueira na Terra).

Também Cavaco tem queixas de Saramago mas, no seu caso, só protocolares pois, ao contrário do Vaticano, Cavaco não é rancoroso. Saramago não teve, de facto, o cuidado de acertar a data da morte com a agernda da Presidência, o que impediu o presidente de ir ao funeral. Saramago devia saber que Cavaco "gosta de cumprir promessas" e que prometera " à familia que no dia 17 partiria com eles para a Ilha de S. Miguel".
     Ora regra de concordância gramatical podem interromper-se, férias não.
Com a devida Vénia a Manuel António Pina Art. J.N.
Um imenso adeus
Emoção imperou
Na despedida fisíca não surprreendeu a emoção do povo. Somos assim.
Ficou ilustrada a pequenez da personalidade de quem hoje ocupa  a Presidência da República.
 Saramago. Aqui nos deixas, naufragos sobre numa jangada de Pedra "num mundo à deriva"

domingo, 20 de junho de 2010

Cristãos e Pescadores não-praticantes.

Ser católico não-praticante, 
É mais ou menos como ser pescador não-praticante.
Há um conceito que cada vez mais prolifera no Mundo contemporâneo e que me deixa intrigado.
     O católico não-praticante é aquele que, acreditando e aceitando os dogmas da Igreja, não participa em qualquer celebração.
     Estou em crer que este imaginativo conceito situa-se entre aqueles aos quais professar a sua religião é uma manifesta perda de tempo e aqueles que não gostam de dizer que não são católicos. Se não vejamos: uma pessoa que, num grupo de amigos, se assume como "não católico" tem irremediavelmente à perna uma lista de questões inteligentemente pensadas pelos seus amigos que pretendem ver o mais recente hereje enfiar-se pela cadeira a baixo.
      Ser católico não-praticante é mais ou menos como ser pescador não-praticante. A pessoa gosta da pesca, de conversar com os amigos enquanto vê a truta a tentar livrar-se do anzol, mas não pratica.
     Poder-se-ía pensar que o pior estava dito, mas não. Este conceito foi crriado pela Igreja quando se apercebeu que os seus fieis estavam a desaparecer e devidamento aproveitado por todos aqueles que privilegiam uma qualquer outra actividade laica.
     Aos católicos não praticantes, para além das vezes que entram numa igreja para ir ao baptizado do sobrinho e ao casamento do vizinho, façam uma coisa: assumam-se ateus, agnósticos ou qualquer outra das muitas hipóteses disponiveis, mas não sejam hipócritas.
  (com a devida vênia a Luis Alves  j_luis_miguel@hotmail .com
   O Texto a cima públicado revejo-me nele e sei quanto me foi penoso  ter assumido a minha não crença religiosa. Pelo que o apelo para acabar com a hipócrisia tem toda a fundamentação.

Cicloturismo = Nogueira da Regedoura = Conovívio em Fátima

Passeio com Itenerário a Fátima no Passado dia 10 de Junho de 2010 
Com partida Chuvosa,cumpriu-se o horário. Largada às 6 da manhã.
Foto demosntrativo de vários participantes.
Aproveitando uma descida para descansar os pedais, já que as pernas estavam em forma plena.
Na foto poder ver-se o carro de Apoio.
Mais duas acompanhantes.
Estando prevista a chegada para as 14 horas, ela veio a confirmar-se pelas 15 horas.
    Ficou bem patente ser votande dos participantes no próximo ano repetir nova façanha, talvez para outras paragens.

sábado, 19 de junho de 2010

A VIDA=O Sangue do meu País corre-me nas veias = José Saramago

O Triste e lamentável Papel Odioso do Vaticano.
  Deveriam numa altura em que andam a pedir perdão perante o Mundo pelos erros comtetidos pela Igreja, vir no seu Jornal Públicar notícias onde o seu ódio é nota dominante, mais condenável após poucas horas da sua morte e sabendo que ele não lhes poderia dar a resposta devida.
     Pobre de quem tem de usar estes métodos para tentar desacreditar e justificar o que é injustificável.
     Mas a Obra e as metas que apontava para o bem estar da humanidade serão imortais.
     Quem são e o que defendem estes senhores!!! O Bem, o mal ou o Péssimo???
     Pobre Paraíso. 

Um Vulto Ribatejano e um Cidadão do Mundo
Convicções 

É se é um fenómeno  da natureza,
nele poderá não haver explicação.
poderá encontrar-se nesta incerteza
o elo que nos faz sentir grnde paixão
(Com inúmeras distinções mundiais)
    " A morte serve para que possamos continuar a viver, muito simplesmente".
     Nesta vida que agora vivemos, convém que saibamos que é aqui que temos de mostrar quem somos.
     Convém que saibamos que seremos mais felizes sempre formos mais solidários.
     Convém que saibamos que amemos os valores da honestidade e do trabalho, que trabalhemos todos para o bem comum.
      Nesta crtise em que nos encontramos poderá haver a tendência de nos tornarmos mais egoístas, mas o que vai ficar de cada um de nós é o que formos capazes de fazer pelos outros.
   Prémio Nobel da Literatura. Uma distinção que ninguém o negará, engrandece o país, o povo, a lingua, a comunidade literária, todos os leitores.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Valor dos Amigos

Com a devida Vênia ao Filho da Escola
Texto de Agostinho Teixeira Verde 
A importância dos Amigos
    O valor dos Amigos:
    - Todos nós temos amigos mas, além destes amigos, existem outros amigos que não conhecemos: que nunca vimos, com quem nunca falamos, de quem nem sabemos o nome… São amigos ligados porque leram algo escrito por nós ou nos viram ou ouviram em qualquer lado ou, então, alguém lhes fez referência agradável a nosso respeito. Amigos que vivem longe, amigos que vivem perto de nós, amigos internautas, mas que, de facto, não conhecemos.
      Há alguns anos, procuraram os documentos de uma bondosa pessoa que eu conheci, (…) para, dizia-se, introduzir um processo de beatificação. Curioso e surpreendente foi encontrar no seu livro de orações um papelinho com um “nome”. No silêncio dos seus claustros, orava por alguém, necessitado, a cujo nome anónimo, me referi.
     Mas todos nós, temos alguém que segura ou tenta segurar o nosso caminho existencial com a força da sua impetração em lugares sombrios, silenciosos e templos de todo o mundo. Alguém comparou os amigos às estrelas! Durante o dia não se vêem, mas são bem visíveis durante a noite. Nas horas de trevas e dor aparecem junto de nós. Há amigos que mergulham no silêncio, sem uma palavra, sem um postal, sem um telefonema. Alguns esquecem até favores e atenções, que escreveram na areia… escrita essa que se dilui com o tempo. Muitas vezes perdemos amigos, por nossa culpa. Deixamos de falar-lhes, deixamos de vê-los. Podem ser comparados a um conjunto de balões de todas as cores, que seguramos por um fio.
      Largando o fio, sobem, sobem e não voltam mais!
      Todos nós já tivemos o condão de possuir amigos, cujas relações que fecundaram essa amizade, foram criadas no emprego, no café, numa viagem, na migração, nas férias dentro ou fora do nosso país, nos negócios, nas bodas diversas de qualquer efeméride, etc.
Porém, existem os amigos da caserna, os amigos militares e os amigos da guerra que a nosso lado se bateram com lealdade, nunca nos deixaram para trás e nos deram a mão, o seu impulso e ajuda, arriscando a vida para que não soçobrássemos debaixo de fogo do inimigo… Há amigos e amigos para todos os casos, mas, sem menosprezar todos os outros, aqueles a quem ouvimos o arfar da sua respiração sob a metralha, ao nosso lado, marcam uma amizade que não tem preço, que, nem nós conseguimos saber o seu verdadeiro valor!
Para se fazer amigos, para se conservar amigos é preciso ser-se amigo.
Autor :- Agostinho Teixeira Verve
Valdemar: - A minha interpretação da amizade
I
Quando se é amigo verdadeiro
Jamais a amizade virá a acabar
Ela fortalece-se o tempo inteiro
Sem nunca poder mais terminar.
   II
Termos amigos verdadeiros,
com quem se  possa partilhar
Sabendo que são os primeiros
sempre prontos  para nos ajudar
III
Termos amigos e poder contar,
com uma amizade  eterna.
É a felicidade a encaminhar
Para uma vida boa e fraterna.
 IV
Prefiro mil vezes encontrar-me num deserto
Mesmo que saibamos ir encontar a solidão
Mas desde que tenhamos um amigo por perto,
Sentiremos a pura amizade brotar no coração


Morreu o Nobel da Literatura = José Saramago aos 87 anos.

    O Corpo de José Saramago chegará amanhã a Lisboa, onde ficará em Câmara ardente  até Domingo onde terá lugar o   Funeral para o Cemitério de Alto de S. João onde será cremado.

Obrigado José Saramago, pelo legado deixado.
Que levou a literatura e o nome de Portugal aos quatro cantos do Mundo.
 
Prémio Nobel da Literatura
                e
Prémio Luis de Camões
             
A tua obra será imortal. O País ficou mais Orfão, ao perder hoje um ilustre seu filho.
Desfile de Carpideiras.
Vamos assistir uma vez mais ao desfile de hipócritas e dos parasitas habituais e,  de mais alguns que não vão perder a oportunidade de aparecer, provocando se possivel, a caída de várias lágrimas de carpideiras, para ganharem uns minutos de antena.
  Vão aparecer, porque aparecem sempre, sem um pingo de vergonha,  para em proveito próprio olhando para o seu umbigo e na tentativa de ganharem mais alguns votos e terem lugar de destaque na imprensa.
 Sem dúvida para enganos.
São piores que os ciganos
Hoje já ouvi tantos fulanos,
 Hipócritas, Parasitas  e Tiranos
   Independentemente de pensarmos diferentes das suas opções politícas e religiosas, Saramago é mais um patriota que deixa escrito com letras de ouro o nome de Portugal.
   Depois do Penafidelense,Médico António Egas Moniz, galardoado com Nobel da Fisiologia ou Medicina no ano de 1949, mais um que parte e que nos deixa fisícamente.
    Ficou bem à TVI ter ouvido o Amigo, o Companheiro e o Camarada Urbano Tavares Rodrigues, outro vulto da nossa Literatura.
    Hoje é o início de uma data,  que Portugal ficou mais empobrecido.   
Vás para onde fores:
                                      Obrigado Saramago pelo legado que nos deixas.
    Certo que ele contribuirá para que um futuro se espera seja breve de mais justo, mais fraterno onde as injustiças deiam lugar a um mundo melhor.
     Revoltante ao ter ouvido já a reacção dos Partidos Politícos, o mais revoltante o do PSD que inclusíve lhe retirou a posibilidade de lhe ser atribuído um prémio e tão mal o trataram.
 Mas Saramago é único. É Original. É um Escritor Universal.

"(...) Nunca me teria passado pela cabeça a ideia que a ti te ocorreu, negar um facto histórico absolutamente incontroverso, Nem eu próprio saberia dizer hoje por que o fiz, Em verdade, penso que a grande divisão das pessoas está entre as que dizem sim e as que dizem não, tenho bem presente, antes que mo faças notar, que há pobres e ricos, que há fortes e fracos, mas o meu ponto não é esse, abençoados os que dizem não, porque deles deveria ser o reino da terra, Deveria, disseste, O condicional foi deliberado, o reino da terra é dos que têm o talento de pôr o não ao serviço do sim, ou que, tendo sido autores de um não, rapidamente o liquidam para instaurarem um sim (...)" JOSÉ SARAMAGO (Azinhaga, Golegã, 16/11/1922 - Lanzarote, 18/06/2010, 12:30 h) História do Cerco de Lisboa, Lisboa: Caminho, 1989, p. 330.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Honra Naval = Patriotismo. Tombaram pela Pátria que juraram fielmente servir.

Um Povo sem memória é um povo sem futuro.
(Miguel Torga)
Marinheiro Artilheiro = António Ferreira
(Mortos em Combate na Lancha Vega em Diu)
e
2º Tenente Oliveira e Carmo

 2º Tenente Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo
"Os Mortos não se discutem. Honram-se"
    Tombar por uma causa  que para nós foi, é uma Nobre e Grande.
     Nos dias que correm, podemos, podemos mesmo sentir inveja dos Mortos, tal é a dor que por vezes nos sufoca neste tempo de cães.
      Eles não sabem que um outro Portugal há-de nascer depois de "este" ter acabado de vez para surgir um que tem de desaparecer com o outro.
    As favas foram sempre mal contadas por "eles"
    Eles nem sabem onde vem a vida, nem como nasce a fórmula do sangue e do Espirito.
   Eles não sabem. Nada!
    Façamos então uma homenagem aos nossos irmãos que aceitaram a simplicidade de dar tudo para que Portugal vivesse.
    Eles os mortos não estão longe, vêem-nos, ouvem-nos e hão-de combater ao nosso lado na última batalha pelo futuro.
2º Tenente Oliveira e Carmo
Serviu a bordo dos patrulhas "Boavista" e "Porto Santo"  e na fragata "Pero Escobar" e comandante da lancha de fiscalização "Vega" a prestar serviço em Diu, para ali partiu em 1961.
A temida invasão acabaria por se concrtetizar na madrugada de 18 de Dezembro de 1961.
    Constituiu o ponto culminante da curta carreira de Oliveira e Carmo, que no seu abnegado heroísmo viria a descrever uma das mais gloriosas páginas da nossa história Naval.
     Nessa madrugada  avistou a 12 milhas da costa ao largo de Nogoá, um cruzador da União Indiana que lançou granadas iluminantes e abriu fogo de metralhadora pesada sobre a "Vega".
     A lancha regressou então ao fundeadouro em Diu e o comandante fardou-se de branco para, segundo afirmou morrer com mais honra.
      Um novo ataque, desta vez com fogo cruzado matou o marinheiro Artilheiro António Ferreira e cortou as pernas pelas coxas de Oliveira e Carmo que, ainda com vida, retirou do bolso e beijou a fotografia da mulher e do filho pequeno.
 De inteira justiça que no passado dia 10 de Junho a víúva Maria do Carmo víúva do Herói da India tenha usado da palavra e lhe tenha sido prestada uma justa homenagem a Oliveira e Carmo pela Liga dos  Combatentes.   
   













quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desastre de Mopeia = Rio Zambeze em Moçambique

Só se morre, quando se deixa de estar no coração de alguém.
Os Mortos. Honram-se
Homenageando os que morreram no trágico acidente e os que sobreviverem, presentes na foto. 
 Agradeço ao Marinheiro Fuzileiro Agostinho Teixeira Verde, , a disponbilidade de aceder a  pedido meu, para que escrevesse em versos no prpósito de  homenagear a mémória de todos quantos se viram envolvidos naquele trágico acontecimento, ocorrido por culpa de altas patentes.
  Jamais alguém foi responsabilizado pela ordem de embarque dos citados militares e respectivas viaturas, que terão sido a principal causa do naufrágio.
    Com um total desprrezo pelos sobreviventes, nunca tendo os sobreviventes uma simples recomendação na caderneta e o recebimento dos valores pessoais perdidos.

Tragédia no Rio Zambeze
             por
Agostinho Teixeira Verde
             I
Tantas perdas humanas
De jovens em plena mocidade
Nas mãos lhe puseram armas
Incutindo-lhes mais virilidade
             II
Oriundos de Portugal
Orgulho duma Nação
Submetidos ao ritual
Apurados na inspecção
             III
Uns foram para a Marinha
Outros para a Aviação
Estes tiveram em linha
O Exército como função
             IV
Na vida há sempre um destino
Para quem acredite ou não
Enquanto se é menino
Falta-nos alguma imaginação
                V
Nos tempos que decorrem
Fala-se do infernal aborto
Para aqueles que morrem
Não há possível conforto
                VI
Pese embora haver um Céu
Com S. Pedro a abrir a porta
Porém, existe um opaco véu
Que nos põe a vista torta
                 VII
Caminhando no escuro
À procura da sorte
Não encontramos escudo
Que nos evite a morte
                 VIII
Assim, tiveram estes mancebos
Uma contínua instrução
Embarcados sem enlevos
Para defender a Nação
               IX
Como tantos outros militares
Atirados ao imberbe destino
Houve muitos milhares
Trilhando o mesmo caminho
                X
Num clima tropical
Sem conhecerem a sina
Pé-ante-pé crucial
Para evitar uma mina
                XI
Seguindo em plena fila
Ou mesmo em usada coluna
Militares a perderem a vida
Na roda traiçoeira da fortuna
                 XII
Pensando na família
Ou na ajuda de boa fada
Que os livrasse da quezília
Do infortúnio duma rajada
               XIII
Doenças e infecções
Fome, sede e atropelos
Nervos de aço e aflições
E suor até aos cabelos
              XIV
Tudo isso e muito mais
No conjunto de privações
Mal pagos ante seus rivais
Com pré de magros tostões
               XV
Morrer em combate
Era esperado e normal
Sofrer enorme desgaste
E perder o seu ideal
            XVI
Nesta vida havia de tudo um pouco
Sobressaltos a toda a hora
Que punham um jovem louco
Como criança que chora
             XVII
Morrer por negligência
A bordo duma barcaça
Por falta de competência
Que provocou tal desgraça
                 XVIII
Como procurar a razão
De tal acidente voraz
Salvaram-se alguns então
Porque houve gente audaz
                 XIX
Carga excessiva, contudo
Mal acondicionada, talvez
Por quererem levar tudo
Aquilo de uma só vez
              XX
Quando tal daria
Sem ousada altivez
Que se dividesse a quantia
Da carga em duas ou três
           XXI
Apontar culpados e castigo
Pelo rocambolesco episódio
Certamente teria atingido
Para alguns, demasiado incómodo
            XXII
Deita-se ao esquecimento
Ninguém ousa dizer nada
Como que nesse tormento
Ninguém sofresse nada
              XXIII
O naufrágio é repugnante
O rio tudo engole depressa
Assim, num curto instante
Perecem os jovens promessa
             XXIV
De um Portugal amordaçado
Que outrora fez heróis
E no rio, tanto militar é lançado
Para os jacarés, iscas sem anzóis
             XXV
Tantos cemitérios improvisados
De terra, mas este é de água
Afogaram tantos  malogrados
E com eles a eterna mágoa
             XXVI
Que se estendeu aos seus amigos
Camaradas, pais e noivas
Aos irmãos sempre queridos
Contra essas guerras doidas
              XXVII
Zambeze, rio velhinho
De cuja sepultura ocasional
Não tiveste a culpa sozinho
És cemitério de Portugal
             XXVIII
Repousam no teu leito
Jovens, sonho de uma geração
Que de gritos, encheram o peito
Dando a vida pela Nação
             XXIX
Nas terras de Moçambique
Fazem parte da nossa história
Sucumbiram sem esquife
Ninguém lhes prestou justa Glória
             XXX
Não se ergueu um Padrão
Muito menos um Obelisco
Não se lhe dá a razão
Procedimento incaracterístico
               XXXI
Percorrendo todo o nosso País
Vendo nos Mausoléus a gratidão
Existe sempre a mesma raiz
Para utilizar o galardão
                XXXII
Honras sempre aos maiores
Os pequenos são fraca raia
Que sofrem amarguras piores
Até que um dia o véu caia
              XXXIII
Vêem-se muito singelamente
Algumas placas alusivas
Que relembram a toda a gente
Os que perderam suas vidas
                XXXIV
Estas, pelo esforço familiar
Ou contributo dos amigos
Quiseram seus nomes lapidar
Nas tumbas dos seus jazigos
                XXXV
 E, assim demonstraram
Que a amizade é um bem
Que eles próprios criaram
E  hoje ainda assim se mantém
             XXXVI
Esquecidos por alguns
Da nossa sociedade
Que não têm preitos nenhuns
E contrariam a verdade
             XXXVII
Que imprimem promessa
Mas, sem seriedade
Fora com gente dessa
Cheia de cumplicidade
              XXXVIII
E, dos governantes de então
Dos de hoje, também
Só têm lugar no Panteão
Os que pouco fizeram de bem
              XXXIX
E, se continuar tal geração
Que poucos valores tem
Como poderá esta Nação
Manter profetas em Belém
                 XXXX
Que é gente pouco concisa
Egovernam sem vintém
Há que reduzi-los a cinza
E metê-los no Panteão. Ámen!

Grato reconhecimento ao filho da escola Agostinho Teixeira Verde
                 I
Cumpriram ordens de incompetentes,
Mais de uma centena morreram afogados
Como os mortos eram de baixas patentes
Nunca houve ninguém responsabilizado.
                 II
A meia centena que se salvaram
Nem uma mensão a os reconhecer
Se calhar nunca lhes perdoaram,
o crime de  não se deixarem  morrer.
              III
Sempre com suas vidas amarguradas,
Vivendo com seus corações destroçados
Relembrando sempre os seus camaradas
Que no Zambeze, 101 morreram afogados.
               IV
Esta semente que ainda anda por cá,
semente de pessoas com tal pobreza,
será descendente de gente  tão má
que desprestigia a pátria portuguesa