sábado, 2 de outubro de 2010

Velho Barqueiro do Douro

Grato ao Autor e a mesma tive a honra de lêr no Auditório da Junta de Feguesia de Nogueira da Regedoura para mais de cinquenta pessoas. Obrigado conterrâneo
     
               Baptismo de um Barco Novo
     Às vezes, mais particularmente nas noites de invernia em que o rio é um desespero de aflição, e se ouvem distintas as vozes de antigamente, lembro-me de ti velho Barqueiro. Então, como em retrospectiva inevitável, as palavras dos que constantemente lembras, falam de portos perdidos ao longo do rio, de noites usadas a lançar a rede na pesca do pão, de naufrágios onde, como na vida, só alguns sobrevivem e de abraços que podem redimir os desnortes tão comuns nos mortais. Elas dizem que é possível regressar a terra, que apesar da tempestade, do rio se ter transformado em tormenta e o barco já sem rumo, quase se afundar, um barqueiro sabe sempre traçar o azimute que salva, basta para isso ter alguém no cais à sua espera.
       Palavras são o que te dedico hoje no dia que escolheste para baptizar um “barco” novo. Palavras apenas, mas é com elas que se escreve o teu nome, o nome de todos os que te são queridos e o nome da tua nova embarcação.
     Voltarás ao rio que te viu nascer como um homem novo, sem remorso, sem castigo e sem censuras por que só quem nunca se fez ao mar não naufragou.
          Permite-me citar aqui uma frase de um dos meus livros  
      “Todos temos um rio a correr dentro de nós mas são poucos a permitir que ele saia das margens que o oprimem.”
     Estamos rodeados de água companheiro, a borrasca terminou, o rio agora é calmo, reflecte a lua e as estrelas e tu e eu, temos que remar, remar, remar…
    Com um grande e forte abraço.
          Manuel Araújo da Cunha

2 comentários:

Piko disse...

Fui um dos presentes neste evento que o nosso conterrâneo Valdemar levou a cabo esta noite em Nogueira da Regedoura!
Devo confessar que foi a primeira vez que ouvi em público o testemunho dos que agora são abstinentes, mas que deixaram lá para trás um passado negro derivado ao consumo exagerado de álcool!
Há sempre uma primeira vez para tudo, mas onde sempre aprendemos e no caso assim foi, porque fui despertado para uma realidade que conhecia, mas que me passava completamente ao lado...
Claro que fui despertado pelo Valdemar e dei o tempo por bem empregue e fiquei convencido que a mensagem foi bem passada e até o Valdemar se saiu muito bem, porque utilizou a sinceridade no seu exemplo e isso cativou toda a assistência que deu mostras de se emocionar em alguns dos momentos devido a alguns dos depoimentos...
A determinada altura falou o presidente da Junta de Nogueira que incentivou o Valdemar a contar o seu testemunho em livro e que contasse com o apoio da Junta a que preside!
Enfim, valeu a pena perceber que há pessoas dispostas a ouvir e a ajudar quem se deixou cair e é fundamental saber ouvir antes do mais aqueles que não têm nenhum problema em contar os seus fracassos enquanto não mandaram às urtigas o álcool! Histórias de arrepiar!
Valdemar vai em frente!
PIKÓ

TINTINAINE disse...

Já são seis e meia da matina. Só espero que o Valdemar não adormeça, pois são horas de levantar da caminha e partir rumo a Pombal.
Ontem foi um dia bom, hoje será melhor ainda!