sábado, 20 de novembro de 2010

Como o Prometido é devido! Aqui Vai = Histórias Verídicas tiradas do meu Baú.

Acrescento:- Por força do Comentário do Valdemar Alves

Xará a essa clíinica a que fazes referência também encaminhei para lá muitos filhos da escola e outros. Não resisto a contar esta de o pré demorar dois dias.
Estava embarcado na Fragata Diogo Cão, o Sargento Artilheiro Silva que era o reponsável pela Secretaria facilitava-nos fazer uns valesitos de 2$50. Maravilhosos, 7 tostões para o Cacilheiro,o das duas e meia da matina, sete para a Bica e sete para o Jornal Diário Popular, ainda dava para o palito e o copo de água e três tostões de Gorjeta ao empregado da Leitaria o Arroz Doce no Bairro Alto, local da minha terceira presa, já que a primeira e a segunda foram pescadas na Leitaria do Augusto a Velha Suzete e depois a Fernanda. Mas contava eu: e antes destas estadias, mulher,cama tacho, roupa lavada e graveto.
   Estava fundeado frente ao Terreiro do Paço, tinha um porta moedas o chamado Cona D´Egua, verguei-me na borda e ele como a castigar-me salta-me do bolso da camisa de trablaho e decide-se por ir dar um mergulho e levar com ele o pré que tinha recebido pouco tempo antes 50$00 uma grande fortuna era segundo grumete, ganhava 120$00 mês. ( Comecei aqui a habituar-me a viver sem dinheiro e a apanhar umas beatas do chão. Marinheiro que se preza, sustenta o vício "ali não havia palha de milho". Indiferente aos contra -tempos e mares adversas. 
Fiz várias tentativas de me lançar ao tejo pois vi-o a afundar-se nas águas límpidas do Tejo, mas sabia dos Remoínhos e sabia que ficava lá. A tropa ensina a desenrascar.
Um dia ainda segundo grumete fui desafiado em Vila Franca depois de uma história dentro do Campo do Vila Franquense e não perdoei.
A sabedoria popular nunca se engana, dita: nestes casos que a ocasião faz o pecador,e eu não resisti a comer a Fevera e ainda insistiu em me gratificar "A Alentejana da linha" esitante,em aceitar o que ela fez questão de me dar,mas claro lá fui virando o bolso à feição de ela meter o respectivo. O Tal fado do Velhinho. Ó filha dá-me cá o teu, vai por mim que eu sou barbeiro etc. e tal.  Perguntar a um pedinte esfomeado se aceita esmola!!!
   Mas amigos estas e outras histórias eu vou passar a desenvolvê-las no outro bogue marinheirododouro.blogspot.com  Rogovosque não me deixem a falar sózinho e, que façam mais esse sacríficio de o visitarem e aí comentem á vontade e abertamente e eu abrirei muito mais o jogo dessa vivência e de que não me envergonho.
    Citar exemplos não é a melhor forma de incentivar, mas a única. Deles se podem e devem tirar ilações, aproveitar se algo houver de bom. Corrigir o que não presta, não repetindo erros velhos. Certo!!!
 Fica combinado:- Link  marinheirododouroblogspot.com
Encontro marcado a partir de hoje e sempre que lá meta temas informo aqui.
Este vamos mantê-lo tal como antes e sempre assim continuará enquento tiver o apoio de todos vós.
 Aquele abraço Xará. Hoje  21 Novembro levantei-me às cinco da matina. Estava de Cabo Dia.
Neste caso, o importante era parecê-lo. A aparência iludia os mirones da estranja
Resolveu Salazar muito provávelmente para aparentar uma imagem de homem integro decidir-se por mandar públicar uma portaria a proibir a legalização da prostituição até aí existente, não sei se a imitar a França e os nossos Hermanos de Espanha e vejam só até na Noruega o Pais da Mãe da Democrácia, que mais tarde conheci e o seu funcionamento era  pior que  aqui no nosso Bairro Alto, Intendente, Rua Escura, Caldeireiros etc. etc. e tal.
     Ao contrário da Bélgica em montras e da Alemanha onde era legalizada e Sindicalizada onde existia um grande exploração e da qual o Governo recebia grandes dividendos.Exemplo S. Poli.
As mulheres ditas da vida como era vulgar tratarem-se eram fortemente perseguidas e bastava que não caísse no goto de um polícial, para a sua vida se tornar num inferno.
 Era-lhes tudo facilitado, quando o homem com quem viviam (O Chulo ou Azeiteiro no Porto = hoje namorado) se trabalha-se ou fossem militares, o que logo à partida lhe facilitava exercer o serviço quase livremente sem correr grande perigo de ir parar a Tires.
    Face a esta situação os marinheiros tinham grande vantagens em desempenhar o cargo de amantes, namorados, chulos ou seja lá o que for, pois para lá de serem fisícamente completos, tinham ainda em muitos casos a vantagemde não serem presas fáceis. E isso para elas era uma parte importante
 Seguir os passos de Adão perante a Eva. Resistir a tal fruto proibído, não era fácil
Também eu tal como Adão perante a Eva fui tentado e atraído pelo fruto proibido e talvez ainda mais saboroso, porque para quem auferia um pré de 120$00 mensais, passados dezoito 400$00 e só decorridos dois anos e meio passei a auferir mil cento e quê escudos.
 Na história a seguir :- Vivia eu com a minha namorada Anabela ( reparem só que coíncidência!!! Para a minha filha mais velha tinha eu lhe escolhido o nome de Catarina Eufêmia) ficado combinado que se outra/o viesse a mulher escolheria o nome.
    Atã nã é que ela escolhe o nome de Carla Anabela.
  Tive dar a volta inventando e lá consegui a muito custo que se passasse a chamar Florbela". Mas retomando o fio à meada, fosse no Ritz Clube ou no Gingão a hora de me ir deitar era sempre muito depois da meia e tantas, de manhã aproveitava ao máximo, o que me valia perder sempre o eléctrico que devia e como tal perder a Vedeta da Doca da Marinha para o Alfeite por três a 5 minutos, o que me obrigava a ir no Cacelheiro e chegar sempre alguns minutos depois das 8h45m.
A história ocorre quando estava embarcado num navio patrulha e o segundo Tenente que não me recordo  do seu nome sempre que chegavamos atrazados lá ía anotando os minutos, aquilo no meu caso foi acumulando horas e quando totalizou um xis de horas presenteou-me com dois dias de privação de licênça. Como o navio estava em reparação e vinhamos dormir à caserna no Alfeite: como militar exemplar! e para não perder a Fevera  lá tive de dar o salto.
O defeito de não meter o dedo primeiro e provar.
Um outro acontece que com a mania de não provar antes de introduzir o respectivo, lá apanhei um chamado esquentamento.
Davam-nos um sabão chamado mercurial para quando tivessemos relacções sexuais segundo diziam evitava a contaminação uma treta e penso que aquilo apenas servia para quando apanhavamos alguma doença venéria e se nos fossemos tratar ficava registada no Boletim de Saúde e perdíamos o direito aos trinta dias de licênça anual.
    Isto dava a que acontecessem coisas incríveis, tudo se procura de forma  a que se evitasse de toda a maneira a não sermos penalizados.
   Neste meu caso, desenrasquei-me lá com um Grumete da Botica, que me aplicou 22 Injecções de um milhão e duzentas mil unidades, mas como continuava a beber Imperial e a ter relacções sexuais.
 Vinha passar uns dias de licênça à terra "uma semana" dos trinta dias a que tinha direito, quando chego a Santarém vou para urinar e começa a tringalha a pingar em bica, não tinha curado coisissima nenhuma nem podia.
Continuo viagem e chego a Nogueira da Regedoura vou até ao Café único cá na Terra e sou convidado com mais quatro amigos casados para ir dar uma  volta, lá fomos e acabamos por ir parar à Rua dos Caldeireiros no Porto, começam a ir um e outro para o quarto e eu a esquivar-me, pois aquilo já pingava a toda a força.
Primeiro comecei por alegar que o material que eles deixaram não seduziu, mas eis que nem de castigo entra uma que não era um braseiro, mas um super brasa. Tentei esquivar-me que não tinha graveto, de nada valeu eles pagaram o que ela pediu. Pois eles tinham medo que eu desse à lingua. Naquele tempo era complicado.
 Entramos no quarto e eu expliquei-lhe que era artista na Lisbia, que ela ganhava o dela, mas que tinha que representar, pois se desse uma díca do meu estado era gravíssimo e eu iri reagir mal. Mostrei-lhe o cartão de Marujo, e tudo bem.
     Concordou sentamo-nos na beira da cama controlamos o tempo, voltamos à mesa e ela fez uma representação perfeita. Eu era o melhor do mundo e quando lá voltasse tinhamos de dormir uma noite.Tanga para otários pagantes erngolirem.
   Mais tarde passei por lá, mas não a encontrei.
   Artur aquela não era a Maria de Metangula!!!
   Não me perguntem se ela tinha picha que eu não sei.
   Apenas e só conversamos como duas pessoas sobre a vida artística, ela agá do Porto Carago. E eu artista da Lisboa. Bairro Alto, Maxime, Fontória, Principe Negro, Ritz Clube, e Cais de Sodré.
Agora pensem e digam da vossa justiça. Total liberdade de opiniões. Tempos de outros tempos.

9 comentários:

Valdemar disse...

É pá! Histórias com esta realidade "núa e crúa" aparecem pouco... Boa descrição e assim foi sem dúvida a nossa vida durante anos. "O pré da Briosa" ia-se logo em 2 dias e tinhamos que olhar pela vida... Essa de perdermos a licênça anual em caso de DV era um caso sério... Tão sério que apenas tomei conhecimento, informei o pessoal, que havia uma Clínica no Bairro da Estrêla (numa Rua que ia dar ao Largo do Rato) que curava a coisa gratuitamente... Passado uns tempos a Clínica tinha mais freguêses que "A Casa do Marujo"... Belos Tempos Valdemar!
Valdemar Alves

Valdemar disse...

Pois Valdemar vê lá se pões "esse baú" de pernas p'ra cima e abano-o bem porque nunca se sabe as histórias lindas que se poderão encontrar bem lá no fundo... E lá estarei com todo o prazer no marinheirododouro.blogspot.com... entretanto fico a imaginar-te "a trabalhar no arame no Arroz-Doce"!
Valdemar Alves

Valdemar disse...

Voltei só para dizer... e se bem me lembro que a "A Alentejana da Linha" ainda estava no Activo em 1968... Mas quando fui destacado de novo para a EAM em finais de 72 já tinha passado à Reserva A... Isto segundo as más-línguas da época.
Valdemar Alves

Fuzo de agua doce disse...

Um gajo fica sem fôlego para ler tudo duma virada tais são as recordações que a mensagem nos trás, continua que estás a ir pelo bom caminho, tira tudo do baú, para não ganhar bolor.
Um abraço
Virgílio

eduardo maria nunes disse...

Lindas histórias de encantar
Que noutros tempos viveste,
Será que não estás a inventar?
Ou será que tudo isso mereceste?

Era a vida dos marinheiros!
Que muito dias passavam no mar,
Em terra eram sempre os primeiros?
Para aqueles que não sabiam nadar?

Penso que isso não será verdade?
Porque todos terão de o aprender!
Sei que falas com honestidade,
Acredito em ti. Ès amigo a valer.

Valdemar disse...

Amigo Eduardo Nunes,vou-te dizer
Eu nisto não gosto de inventar
Muito e muito mais, posso dizer
Se eu abrir todo o missal
Certamente te irás pasmar
E a seguir te irás benzer.

Quem come o que lhe dão
Se o aproveita por necessidade
Deve já ter merecido perdão
Sem ter pedido caridade.

Quanto a ti Xará Valdemar
Este Xará não te engana
Não tenhas medo de errar
Porque, era essa Alentejana.

eduardo maria nunes disse...

Pelos vistos era boa pessoa
E bondosa mulher alentejana?
Quem tem coração sempre perdoa,
Valdemar, os outros não engana!

Marinheiro não inventa!
Por muitos mares navegou,
A mentira não alimenta,
Também alentejano eu sou.

Não alimenta digo eu?
Muitos dela vão vivendo,
Quem para mentir nasceu,
Muito mal vai fazendo.

Amigo Valdemar estou aqui!
Também não te quero julgar,
Teus versos com atenção eu li,
Espero ler teu missal de pasmar?

Valdemar disse...

São 9.27 aqui nas Antípodas e tive que lêr isto outra vez... A tua narração em português castiço está simplesmente de morte... Também tive um cona d'égua" de prata (oferecido pela garina era coisa chique naquele tempo) mas o meu não foi borda fora... O meu foi parar "ao prego", uma Casa de Penhores que havia na Rua do Paraíso e perto do Hospital da Marinha... Tempos em que um gajo andava teso que nem um carapau. Tempos em que um gajo era feliz. Tempos enfim que não voltarão jamais!
Valdemar Alves

TINTINAINE disse...

Eh pá, isto hoje esteve muito movimentado!
A história do Valdemar e a Rua dos Caldeireiros fizeram furor entre a malta da pesada.
Histórias com sal e pimenta têm melhor cotação que bocas da política ou economia.
Como diz a publicidade da Super Bock - Manda vir mais!